“Jardim Zoológico de Cristal” é a obra de Tenessee Williams que o encenador Nuno Cardoso transpõe para a actualidade e que o Theatro Circo recebe a 20 e 21 de Novembro (21h30) no palco principal.Escrita na década de 40, “Jardim Zoológico de Cristal” (“The Glass Managerie”) surge, na circunstância, como resultado de um paralelo estabelecido entre o contexto original – cenário histórico da Grande Depressão – e a crise das sociedades actuais.
Em palco – com figurinos desenhados pelos estilistas portugueses StoryTailors - Maria do Céu Ribeiro, Micaela Cardoso, Luís Araújo e Romeu Costa interpretam os personagens que o próprio Tenessee Williams definiu como «a mãe Amanda Wingfield, a filha Laura, sua dependente tardia, o filho Tom, o homem da casa, mais um cavalheiro convidado, Jim O’Connor, para uma vaga há muito desejada».
Resultado de uma co-produção do Theatro Circo, “Ao Cabo Teatro”, Teatro Aveirense, Teatro Viriato, Centro Cultural Vila Flor e “As Boas Raparigas…”, “Jardim Zoológico de Cristal” conta o afastamento das quatro personagens e o encontro, desgraçadamente bem sucedido, de Laura e Jim.
Tom Wingfield, um dos quatro personagens, é igualmente o narrador que despoleta a acção desta narrativa/memória. Aspirante a poeta, Tom trabalha num armazém de sapatos para sustentar a mãe Amanda e a irmã Laura, única família que lhe restou após o desaparecimento do pai.
Tímida e afastada do mundo, Laura é o centro das angústias de Amanda que, após várias tentativas de integrar a filha e de desviar a atenção exclusiva que dedica à colecção de animais de cristal, chega à conclusão que a única solução é o casamento. É neste contexto que Jim O’Connor entra na vida desta família, concretizando aparentemente os desejos de Amanda e abrindo finalmente o coração de Laura. Contudo, como diz Amanda, «as coisas têm uma tendência para correr tão mal» …
Primeira incursão de Nuno Cardoso na dramaturgia norte-americana, a selecção de “Jardim Zoológico de Cristal” deriva do interesse que a exposição que Tenessee Williams faz do núcleo familiar face ao mundo desperta no encenador, que assumiu também funções como criador-residente do Teatro Nacional São João.
«A minha escolha radica na crença que este texto me possibilita a criação de um objecto artístico, que permite, simultaneamente, a existência de um tempo para a palavra e para a reflexão que esta necessariamente implica», justifica Nuno Cardoso, admitindo que a temática abordada se assemelha mais a «uma parábola made in Portugal» do que a um conto americano.
Embora tenha estreado a sua primeira peça em 1938, foi precisamente com “The Glass Menagerie” – trabalho fortemente biográfico distinguido pelo New York Drama Critics’ Circle como melhor peça do ano – que Tenessee Williams atingiu o sucesso, que rapidamente se reflectiu em sucessivas apresentações na Broadway. Com “A Streetcar Named Desire”, Williams venceu o prestigiado prémio Pulitzer e conquistou definitivamente a reputação de dramaturgo de referência.
Ingressos, a 8 euros, disponíveis nas bilheteiras do Theatro Circo.
Mais informação: Luciana Queirós da Silva (imprensa@theatrocirco.com ou 913 093 094) ou em www.theatrocirco.com, reservas@theatrocirco.com e no “call center” 253 203 800.

















