«O Mosteiro de São Martinho de Tibães, em Braga, inaugurou ontem [4 Julho] uma importante exposição de arte moderna, composta por 50 obras de diversos autores, que integram a colecção da Caixa Geral de Depósitos. A mostra, que vai estar patente ao público até 22 de Agosto, tem por título “De Malangatana a Pedro Cabrita Reis”, e pretende «colocar em diálogo harmonioso a modernidade com a história do local», que foi a casa-mãe dos beneditinos em Portugal e no Brasil.
Além de um grande número de convidados e da administração da Caixa, a abertura da exposição contou com a presença da Directora Regional de Cultura do Norte, Helena Gil, que agradeceu o empenho da Culturgest em trazer este valioso conjunto de obras ao Norte do país e de ter escolhido um espaço com grande importância e simbologia cultural para o fazer.
A Culturgest convidou o curador Jürgen Bock para este projecto itinerante, tendo em consideração a sua experiência, interesses e conceitos expositivos. Jürgen Bock entende esta tarefa, incorporando no seu trabalho o modo de apresentação das obras e da sua colocação nas arquitecturas que as acolhem, «integrando as obras sem mudar os respectivos espaços».
O curador refere, a propósito, que «as obras experimentadas como herméticas nas suas apresentações em museus, galerias ou mesmo nos catálogos, normalmente, organizadas de maneira ortodoxa, são agora apresentadas em confronto e num contexto de exibição por vezes surpreendente e pouco comum». A instalação destas exposições e respectivos catálogos «procuram aplicar a ideia de construção como contraponto ao regime que equipara o novo, o único, o genuíno e o autêntico à qualidade e objectividade», acrescenta.
A colecção Caixa Geral de Depósitos, criada no princípio dos anos 80, é uma colecção de arte ainda jovem. Revela, no entanto, em tom generoso, a natureza de colecções em permanente estado de reinvenção. Através de rigorosas escolhas expositivas e de um enquadramento crítico das obras seleccionadas, procura-se criar uma justaposição dinâmica das mesmas e assim produzir uma apresentação capaz de oferecer e sugerir ao público novos envolvimentos com autores e obras já célebres, mas também com autores ainda por descobrir». [José Carlos Lima/DM].
