O academismo que caracteriza alguns dos mais importantes grupos folclóricos da Europa de Leste é a grande inovação da edição de 2011 do Festival Internacional de Folclore de Braga, que vai decorrer nos dias 29 e 30 deste mês, em plena Avenida Central.
O evento, que a vereadora da Cultura da Câmara Municipal considera ser «uma manifestação de grande qualidade da cultura popular, que cada vez conquista públicos mais jovens», promete demonstrar como uma expressão artístico- cultural que continua a ser vista como um parceiro pobre da cultura portuguesa assumiu já um espaço nobre em países mais descomplexados.
Uma outra novidade de peso naquela que será a XIII edição do Festival Internacional de Folclore de Braga é a presença de grupos fortemente dominados pela juventude dos seus membros. O caso mais visível é o da presença russa, que promete fazer desfilar pelas ruas de Braga a alegria e o entusiasmo de um grupo de jovens formado no rigor da academia.
O Folk Dance Ensemble “Severyanochka” é, de resto, um dos mais famosos grupos jovens da Rússia. É composto por 33 elementos, incluindo director, coreógrafo, bailarinos e músicos. No repertório do grupo há várias danças russas, além de diversas composições de dança folclórica da Sibéria e de outras danças de alguns países da ex-União Soviética.
Além do agrupamento proveniente da Rússia, o festival folclórico bracarense tem também asseguradas as presenças de mais sete ranchos folclóricos internacionais provenientes da Geórgia, Chile, Espanha, Panamá, Croácia, Moldávia, Polónia e Turquia.
Abrem e fecham o festival dois ranchos folclóricos residentes: a abertura está entregue ao Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio, ficando o espectáculo de encerramento para a Rusga de S. Vicente. O programa reserva ainda espaço à actuação dos sempre apelativos Pauliteiros de Miranda, que constituem o Grupo Folclórico Mirandês de Duas Igrejas.
A vereadora Ilda Carneiro considera que «a muita qualidade dos grupos que participam na edição deste ano – oito estrangeiros e três portugueses – são a garantia de que as várias actuações do festival serão espectáculos etnográficos de grande riqueza». Trata-se de uma garantia que é reforçada pela «grande riqueza dos trajes, das danças e das músicas», acrescentou a titular da pasta da Cultura da autarquia bracarense, fazendo saber que a opção por apenas dois dias de festival – a última sexta-feira e o último sábado de Julho – pretendeu «evitar a repetição de actuações, que poderia revelar-se algo inconveniente, quer para o público quer para os grupos».
Exposição de trajes
Paralelamente ao programa do XIII Festival Internacional de Folclore de Braga – na noite do dia 29 actua o Rancho Gonçalo Sampaio e os ranchos da Geórgia, Chile, Espanha, Panamá, Croácia e Rússia e no dia 30 a academia do Panamá e os grupos da Moldávia, Turquia, Pauliteiros de Miranda e Rusga de S. Vicente –, a Casa dos Crivos acolhe uma exposição relacionada com a cultura etnográfica.
“Os fios e nós da moda velha” é o tema do evento que vai ser promovido pela Associação Cultural e Recreativa “Os Sinos da Sé”/Grupo Folclórico dos Professores de Braga. Trajes e outras peças de vestuário e a sua confecção são o mote para exposição, que visa documentar «uma metodologia de trabalho no interior do movimento folclórico local e regional».
O certame, que vai também prestar homenagem à actividade de sapateiro, alfaiate e bordadeira, é dedicado à memória da professora Cecília de Melo, recentemente falecida, e que era a grande responsável pela recolha e confecção dos trajes que fazem o espólio da colectividade que assume a exposição.
A inauguração da mostra está agendada para as 18h00 do dia 29 de Julho e ficará assinalada pela realização de um lanche de matriz rural, onde não vão faltar os tradicionais bolinhos de bacalhau, chouriço, presunto, salpicão e outros petiscos tradicionais, que serão devidamente acompanhados pelo incontornável vinho verde minhoto.
Braga abre festival
Cabe ao Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio abrir o XIII Festival Internacional de Folclore de Braga. A subida ao palco do grupo mais antigo do Baixo Minho está marcada para as 21h30 do dia 29 deste mês. A primeira actuação estrangeira é feita pelo Ensemble Nartebi, o grupo de folclore da Geórgia. Trata-se de uma actuação que promete singularidade no espectáculo, pois a colectividade de Tblisi tem como director artístico e director de danças um dos melhores bailarinos do país.
Ritmos latino-americanos
É uma das actuações que mais promete, ao nível da inovação folclórica. A vinda ao festival de Braga do Ballet Folclórico Municipal de Rancagua (cidade situada a 80 kms da capital chilena) será uma oportunidade para se viverem novas experiências, nomeadamente ao nível de dança e dos ritmos tradicionais das populações que habitam os vales e as cordilheiras dos Andes. De ritmos latinos será feita a actuação do Grupo Gaditano de Música e Danças “Andalucia Dos”, que, desde 1978, se dedica à recolha dos valores etnográficos andaluzes e dos sabores dos bailes clássicos. Também espanhol “fala” a actuação que se segue à dos andaluzes. A subida ao palco da “Academia de Proyecciones Folclóricas José A. Corelia”, do Panamá, promete difundir, na capital minhota, o que de melhor existe nos costumes, tradições, música e dança daquele país latino-ameriacano.
Russos a fechar 1.ª noite
O encerramento do primeiro dia do festival cabe ao grupo russo Folk Dance Ensemble “Severyanochka” (ver peça ao lado), que sobe ao palco após a actuação do grupo Folklorni Andambl “Matija Gubec”, que traz consigo 74 anos de pesquisa das danças e trajes croatas. Dos 127 elementos do grupo, meia centena tem idades compreendidas entre os 19 e os 30 anos e 65 elementos integra o grupo infantil. Os restantes 12 membros garantem a animação musical.
Rusga no encerramento
O segundo dia do XIII Festival Internacional de Folclore de Braga abre com a segunda actuação da “Academia de Proyecciones Folclóricas José A. Corelia”, que antecede a subida ao palco dos moldavos “Folk Dance and Music Group Basarabenni”. Para depois da actuação moldava está prevista a subida ao palco do grupo turco “Pahoy”, que antecede a actuação dos portugueses “Pauliteiros de Miranda”. A última actuação do festival cabe à Rusga de S. Vicente, de Braga. O grupo etnográfico do Baixo Minho, formado no ano de 1965, apresenta-se trajado à camponesa de finais do século XIX, princípios do século XX. Os seus membros envergam os espécimes mais identificativos das diferentes zonas que compõem a região geo-etnográfica dos distrito de Braga. Eles e elas vestem trajes de trabalho e de festa ou domingueiro. Dignos de especial destaque são os trajes de casal de noivos. [Joaquim Martins Fernandes, Diário do Minho]

