«A Câmara de Braga e as suas empresas municipais têm sido, juntamente com algumas lojas Pingo Doce, as grandes empregadoras de pessoas com deficiência visual no concelho e no distrito.
O emprego é apenas uma das várias formas de cooperação entre as autarquias do distrito de Braga e a Associação Portuguesa de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). Em entrevista ao Diário do Minho, Cristina Ferreira, presidente da delegação de Braga da ACAPO, faz questão de salientar a importância da formação, da cooperação com as autarquias, mormente nos transportes e na questão do emprego a pessoas com deficiência visual.
Hoje começa um novo curso de Assistente administrativo na ACAPO. Depois haverá um período de estágio em posto de trabalho, numa empresa ou Câmara Municipal. Os formados podem trabalhar em portarias, como telefonistas, ou mesmo em outras funções. A integração profissional é o objectivo final.
De acordo com Cristina Ferreira, felizmente, muitos têm conseguido emprego. «É verdade que cada ano integram-se menos pessoas. Por um lado, porque os lugares estão ocupados; por outro, porque as coisas estão cada vez mais difíceis por todo o lado.
Mas a Câmara Municipal de Braga já tem três telefonistas, dois cegos na própria Câmara, um nos Transportes Urbanos de Braga, um na Polícia Municipal e um na AGERE», especificou. Isto é, a Câmara de Braga e as suas empresas municipais têm sido as grandes empregadoras dos invisuais de Braga. «Enquanto houve lugar, empregou várias pessoas. Faziam estágio e depois ficavam. Mas temos que compreender que depois chega-se a um limite que não dá para integrar mais», reconheceu a delegada de Braga da ACAPO.
Outro “porto de abrigo” têm sido as lojas Pingo Doce. A do Braga Parque acolheu duas pessoas; e as de Vila Verde, Trofa, Santo Tirso, entre outras, também têm empregado pessoas com deficiências visuais. Mas não há dúvidas que «o mercado está-se a saturar. As empresas estão em dificuldades e é cada vez mais difícil para todos, muito mais para as pessoas com deficiência. Até porque os incentivos aos empresários são cada vez mais escassos», afirmou.
Apesar das dificuldades, Cristina Ferreira aconselha as pessoas a continuarem a apostar na sua formação académica e profissional. «Aqueles que puderem devem tirar o seu curso superior e investir nas suas competências académicas e profissionais. Podem optar por formações em escolas profissionais ou nas universidades », aconselhou.
O curso de Assistente Administrativo arranca hoje. Brevemente vão começar outras formações, por exemplo, em braille, tanto para pessoas invisuais como para normo-visuais, ou seja, para a comunidade em geral. «Já houve no ano passado e este ano vamos ver se fazemos pelo menos dois. Já percebemos que a comunidade é muito receptiva a estas coisas.
Em informática, vamos ter cursos diferentes, adaptados às novas tecnologias. Já não basta ensinar Word. É preciso aprender a utilizar outras ferramentas que possam facilitar a vida do invisual», explicou a dele- gada de Braga da ACAPO. Outra formação a ter sempre em conta é em actividades de vida diária (AVD), visando ensinar às pessoas que cegaram recentemente a reaprender a manejar coisas do dia-a-dia. Por exemplo, descascar batatas, passar a ferro, fazer um bolo, cozinhar, entre outras coisas.
No entanto, para isso é preciso equipar a cozinha da nova sede, que ainda está bastante despida. Falta a mesa, os armários, a banca. Alguém prometeu a pedra mármore, mas esta ainda não chegou. A cozinha faz falta até para os funcionários. Cada vez mais, os funcionários trazem o seu farnel de casa e é bom que tenham um espaço com as condições mínimas para aquecerem a comida ou mesmo fazer qualquer coisa, em vez de irem ao restaurante. «Vamos ver se até final do ano conseguimos ter a cozinha equipada com as coisas básicas», disse a responsável da ACAPO de Braga.
Em termos de necessidades de equipamentos, além da cozinha, a Associação anseia por uma nova carrinha. Foi reconhecida a necessidade, já foi prometida há muito tempo, mas continua à espera. O anterior ministro já se tinha comprometido. Resta saber se o novo titular vai respeitar o compromisso.» [Francisco de Assis, Diário do Minho]
